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A Anatomia da Densidade: planejando cidades mais eficientes

Créditos: Unsplash

A mensuração de espaços urbanos foi o tema central do webinar ‘A Anatomia da Densidade’, que discutiu as novas perspectivas para o desenvolvimento e administração das cidades. O evento foi mediado por Eduardo Moreno que lidera o UN-Habitat, projeto das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos e contou com a presença de profissionais que são referência na área. Entre eles, Alain Bertaud, urbanista e professor do Marron Institute, Shlomo Angel, diretor do Marron Institute of Urban Management e especialista em Políticas de Desenvolvimento Urbano e Anjali Mahendra, diretora do World Resources Institute. 

No início da palestra, Shlomo Angel falou sobre a importância de haver uma medição para a densidade urbana e assim analisar a proporção de cada cidade. Para ele, a densidade é uma métrica chave da política, permitindo estabelecer mais espaços nas cidades e a partir do momento que algo se torna mensurável, é possível pensar sobre e planejar. Por exemplo, quanto tempo uma pessoa leva de um ponto a outro? Ele afirma que “a densidade urbana é uma métrica de política fundamental, porque é uma medida de quão grande será a área ocupada por uma cidade com uma determinada população.”

De acordo com Anjali Mahendra, para olhar a questão da densidade é preciso prestar atenção nas condições de cada cidade e o contexto cultural em que cada uma está inserida. Ela explica que o estudo da densidade pode ser um mecanismo para alcançar uma melhor qualidade de vida para a população.

Segundo Alain Bertaud, existe uma dificuldade de estabelecer parâmetros para as densidades urbanas, pois isso depende do nível de desenvolvimento da cidade. Para ele, existem diversos aspectos que podem influenciar essa medida, como o preço da terra, a renda das famílias ou a velocidade e disponibilidade de transportes nas cidades. Bertaud ressalta a importância desses elementos para planejar uma cidade, sendo necessário levar em consideração todos os pontos. “As pessoas colocam prioridades diferentes para coisas diferentes. Em uma família de alta renda, vale a pena viver em 60 metros quadrados porque eles gostam das comodidades. No Texas, esse tipo de compensação não seria aceitável. Então, novamente, é um aspecto cultural que se reflete no mercado”, afirma o urbanista. 

Para Alain, existem cidades que apresentam uma alta densidade mas que são extremamente eficientes. Houston e Dallas, por exemplo, são eficazes em termos de geração de empregos e moradia. Outras áreas urbanas que não oferecem o mesmo nível de flexibilidade, tornam-se menos atrativas e de certa maneira acabam “morrendo”. Ele propõe como solução olhar de forma mais completa, identificando quais são os problemas regulatórios e estratégicos que precisam ser removidos. 

O urbanista reforça o papel dos planejadores e a importância da infraestrutura para a transformação das cidades. “Em Bogotá, onde você tem altas densidades, a infraestrutura não é suficiente para suportar essa densidade. Minha resposta a isso é: quais são as ferramentas dos planejadores? As ferramentas que eles têm não envolvem diminuir suas cidades, mas colocar as pessoas em outro lugar. As ferramentas que temos é investir em infraestrutura. Não acho que haja uma densidade tão alta que a infraestrutura não possa ser fornecida”. Ele finaliza explicando que o trabalho dos planejadores é compreender os espaços urbanos utilizando esses indicadores para oferecer uma melhor infraestrutura às cidades. 

Dessa forma, mensurar os espaços de ocupação nas cidades e estabelecer planejamentos mais eficientes são políticas fundamentais para melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas. Para isso, é preciso analisar cada cidade de modo particular, respeitando sua cultura e particularidades, assim como afirma Alain Bertaud: “As cidades não podem ser construídas como uma escultura, elas são feitas de espaço físico”. 

Anna Valfogo
Anna é estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Adora assuntos voltados à arte e ao design e sempre que pode tira um tempinho pra escrever no Medium. Também colabora em um podcast sobre cinema.

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