Arquitetura e Mercado

Com queda de 65% em abril, lançamentos residenciais só devem voltar no segundo semestre

Crédito: Scott Blake/Unsplash

Dados do Secovi-SP mostram importância de ações online para sustentar as vendas até lá

Embora o setor da construção civil tenha se mantido como serviço essencial ao longo da quarentena no estado de São Paulo, com 95% dos colaboradores atuando no canteiro de obras, a outra ponta da balança, vendas, sofre com o isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19. Sem a abertura dos plantões de negociação de imóveis, o setor percebeu o impacto negativo em abril. Segundo o Secovi-SP, as vendas de imóveis residenciais novos caíram 65% em relação à previsão para o mês, feita anteriormente. Na Região Metropolitana de São Paulo, o VGV (Valor Geral de Vendas) dos lançamentos adiados somam R$ 1,5 bilhão.

Para o economista chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, com esse cenário, os empreendimentos não devem se arriscar por enquanto, deixando para o fim do isolamento, entre julho e agosto, a volta dos lançamentos. “Ainda não conseguimos medir a profundidade da crise. Acredito que, com a sondagem de maio, essa realidade seja melhor desenhada”, avalia o economista.  Para ele, o ambiente psicológico e emocional ainda não permite que incorporadores tirem da prateleira seus lançamentos. “Precisamos ver como será a convivência, esse novo normal. A partir daí, tudo será adaptado”, diz.

No mês de abril, a oferta de novos foi quase zero, mas alguns empreendimentos mantiveram a programação por meio de eventos virtuais, com visitação online ao vivo. Um dos motivos pelos quais foi alcançado o índice de 35% de vendas, incrementado por empreendimentos já lançados, pelas negociações iniciadas em março e finalizadas digitalmente, além de anúncios em jornais.

O setor ainda busca outras soluções para combater a redução, como a negociação com o governo federal para a isenção da taxa de juros. Em conjunto com entidades do setor em instância federal e estadual, o Secovi reivindica melhores condições para os financiamentos de imóveis. “A Selic foi para 3% e estamos com juro real negativo no país. Os bancos estão acomodados e por isso insistimos na redução de juros como forma de atrair novos compradores e aquecer o mercado”, afirma Petrucci, que elogiou algumas iniciativas da Caixa Econômica Federal em relação à carência para o pagamento das prestações.

Caso o setor obtenha sucesso na negociação, novos compradores podem ser atraídos a fazer negócio, mesmo durante a crise. Isso porque a busca pelo primeiro imóvel – e por financiamento — é a realidade da maioria das pessoas, segundo levantamento do Secovi de 2019. A pesquisa aponta que 45% dos imóveis novos negociados são empreendimentos do Minha Casa Minha Vida. “O que pode, realmente, impactar o negócio é o desemprego projetado para esse período, porque temos bastante correlação com o emprego formal”, avalia Petrucci.  

Valorização e retomada

O setor imobiliário já passou por outros momentos de crise no País, de 2014 a 2016, mas é fato que o imóvel continua sendo um dos investimentos mais seguros no Brasil, principalmente durante a pandemia. “Parece clichê, mas nos últimos 50 anos, passamos por altos e baixos de papéis, bolsa, petróleo, ouro, dólar, mas o imóvel se mantém firme”, diz Petrucci, que avalia como motivo o fato de patrimonialização estar arraigada na população brasileira.

Por isso, ele acredita que a retomada das vendas será impulsionada pela primeira moradia, seja ela da faixa de R$ 240 mil, ou até R$ 500 mil ou mesmo na de R$ 1,5 milhão, já que todos os perfis de primeiro imóvel estavam bem antes da crise. “Mas, provavelmente, dentro dessa categoria, as unidades de até R$ 240 mil, com 42 m² e dois dormitórios, serão as grandes propulsoras de vendas.”

Juliana Gattone
Jornalista, com MBA em Gestão de Pessoas, tem passagem pelos principais setores - poder público, privado e imprensa. Atua há 24 anos escrevendo sobre política e economia, além de desenvolver projetos de comunicação e conteúdo estratégico para diversas áreas (lazer, saúde, consumo, construção civil e cultura). Integrou as redações do Diário do Grande ABC e do Jornal da Tarde (Grupo Estado), conduziu a Secretaria de Comunicação de Santo André e gerenciou equipes nas maiores agências de Relações Públicas, como Máquina Cohn&Wolfe, CDN e Inner Voice Comunicação Essencial.

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