Sustentabilidade

Construções em madeira: se são tão sustentáveis, por que usamos tão pouco?

Créditos: Unsplash

O uso da madeira na construção civil é cada vez mais apoiado por ambientalistas e órgãos de saúde por ajudar a reduzir as emissões de carbono produzidas no canteiro de obras, reduzir a quantidade de entulho e tornar a obra mais eficiente. Mas se ela é tão boa assim, por que é tão pouco usada ainda, especialmente no Brasil? Essa foi uma das questões centrais do evento online Arquitetura do Amanhã: Projetando negócios sustentáveis, organizado pela Imaflora, ONG que tem como pauta central a conservação do meio ambiente. 

Um dos principais assuntos do encontro foi o uso da madeira e como o material deve ser visto e utilizado de maneira diferente na arquitetura e na construção civil. Segundo Marcelo Aflalo, presidente do Núcleo da Madeira, “A madeira representa tudo de positivo nesse momento em que vivemos, mas ela carrega um número muito grande de estigmas que não nos ajudam”. De fato, no Brasil não é comum estruturar construções utilizando-se da madeira. Esse pensamento acaba ganhando força com a ideia de que a madeira é um material que não traz, teoricamente, benefícios à construção. Contudo, esses argumentos foram refutados. 

Para Ana Belizário, gerente de projetos e novos negócios da Amata, empresa responsável por produzir e comercializar madeira e seus derivados priorizando as florestas e o meio ambiente, “Existem uma série de estigmas, mitos e aspectos culturais em relação à adoção de madeira para estruturas. Houve realmente uma cisão na história da técnica construtiva brasileira em relação a adoção de estruturas de madeira”. Ana também afirma que a madeira, ao contrário do que geralmente se pensa, pode ser utilizada em diversos outros setores e em escalas muito maiores: galpões, indústrias e escolas, por exemplo. A madeira é resistente, flexível e muito segura, oferecendo mais vantagens do que materiais comumente utilizados na construção civil como o aço e o concreto. Além disso, é uma matéria prima que absorve carbono no decorrer da sua vida útil, portanto, colabora com o meio ambiente, diminuindo os impactos da crise climática. 

Tradicionalmente as faculdades de arquitetura e engenharia civil não tratam sobre esse estilo de construção, limitando ainda mais o pensamento dos futuros profissionais da área. Segundo a representante da Amata, “Com a adoção de madeira engenheirada realmente rondando o mercado, crescendo paulatinamente para ter uma representatividade acho que alguns movimentos vão acontecendo em paralelo: primeiro, hoje a gente tem pouquíssima formação sobre madeira em universidades, escolas de arquitetura e de engenharia mas já começa existir algum desejo, alguma demanda dos alunos”. Para Ana, essa transição não irá ocorrer rapidamente mas há indícios que ela começou e vem conquistando mais espaço. O grande desafio desse novo modelo de construção é apresentar para as próximas gerações de que esse futuro, de madeira, é possível. E mais do que isso: sustentável.

Anna Valfogo
Anna é estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Adora assuntos voltados à arte e ao design e sempre que pode tira um tempinho pra escrever no Medium. Também colabora em um podcast sobre cinema.

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