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Falta de conhecimento entre brasileiros é desafio para ampliar uso da madeira na construção civil

Reprodução Robert Bye/Unsplash

Falar sobre madeira é bem mais do que apresentar ideias, objetivos e missões das empresas envolvidas na produção e comercialização desse material. É, antes de tudo, um esforço de conscientização coletiva sobre onde estamos e onde queremos ir como sociedade. 

Embora construções em madeira sejam bastante antigas na história da civilização, elas nunca foram tão atuais e necessárias como agora, em que as mudanças climáticas e as novas tecnologias colocam urgência e ampliam as possibilidades de uso dessa matéria prima. Há algumas semanas, fiz parte de uma ótima conversa sobre o assunto durante o evento online  “Arquitetura do Amanhã: projetando negócios sustentáveis”, realizado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

Participamos eu, Leonardo Sobral, gerente florestal do Imaflora, Marcelo Aflalo, presidente do Núcleo da Madeira, a arquiteta Lua Nitsche, sócia-fundadora do Nitsche Arquitetos, Hélio Olga, da ITA Construtora,  Nicolaos Theodorakis, CEO da incorporadora Noah, entre outros convidados. A íntegra do debate está disponível aqui.

As conversas deixam evidente que precisamos todos compreender o lugar onde estamos inseridos, as mudanças que somos capazes de gerar a partir da ampliação do uso da madeira e quais os pontos fortes e fracos que emergirão nessa trajetória.

Tem sido cada vez mais relevante tratar dessas possibilidades, especialmente no Brasil, onde há potencial de produção e de adoção enormes. Dispomos de vasto espaço para plantio e podemos inclusive usar silvicultura, uma técnica de manejo controlado de árvores, para recuperar áreas degradadas. A madeira é um material seguro, flexível e versátil o suficiente para ser produzido em grandes escalas, não apenas em moradias, mas também em multipavimentos, galpões e indústrias. É leve, eficiente e renovável. É também a opção mais sustentável possível, pois é o único elemento capaz de absorver carbono durante toda a sua vida útil, atributo imprescindível para o combate à crise climática. 

Apesar das vantagens, há muitos desafios. O principal deles é a falta de conhecimento sobre as reais características da madeira na construção civil. Muitas pessoas ainda têm dúvidas e, em vez de resolvê-las, deixam a insegurança prevalecer, dificultando ainda mais a popularização da madeira engenheirada. Falar sobre madeira é falar sobre meio ambiente, qualidade de vida e também sobre o futuro. Precisamos ampliar cada vez mais esse debate, incluindo os profissionais da arquitetura e da engenharia, mas também todos aqueles que de alguma forma possam contribuir com essa mudança de mentalidade. Construir um futuro mais sustentável depende de compreendermos que precisamos agir juntos.

Texto originalmente publicado no Linkedin de Ana Belizário

Ana Belizário
Ana Belizário é gestora de projetos da Amata, empresa brasileira que acredita que a força da floresta pode transformar a sociedade. Belizário é formada em arquitetura e mestre pela Universidade de São Paulo.

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