Mobilidade

Risco menor de contágio coloca carro por aplicativo como objeto de desejo

Pesquisa da 99 realizada nas periferias de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador mostra que 52% gostariam de recorrer a este modo de transporte em seus deslocamentos diários

O carro assumiu nos últimos meses o posto de objeto de desejo dos moradores dos grandes centros urbanos, especialmente de quem mora longe do emprego. Com menor risco de contaminação pelo coronavírus na comparação com outros meios de transporte mais aglomerados e com a passagem mais livre atestada pelos baixos índices de congestionamento, cresceu a preferência pelo automóvel. E não vamos nos esquecer dos passeios pela cidade, que podem ser feitos sem sair do carro, dos cinemas que ressurgiram como drive-ins, das lojas que oferecem atendimento por drive-thru como num shopping center de Botucatu, no interior paulista, que chegou a transformar seus corredores em vias para os motoristas fazerem suas compras de dentro do veículo.

Uma pesquisa realizada pela 99 com 2.612 pessoas das regiões periféricas de São Paulo, Rio de Janeiro,Salvador e Manaus em julho deste ano retrata bem essa tendência. A posse de automóvel é baixa, fica em torno de 12%. Mas as viagens por aplicativo têm forte apelo entre esses moradores: 52% elegeram o serviço como seu grande desejo na pandemia. O dado mostra que muitos gostariam de incorporar ao cotidiano algo que só conseguem fazer em situações esporádicas. Os motivos mais citados para querer usar o aplicativo são visitar amigos e familiares, resolver assuntos pessoais, realizar consultas e exames e poder ter mais conforto e privacidade nos encontros amorosos e sentimentais.

Os desejos de consumo e dificuldades trazidas pelo levantamento identificam algo fácil de ser observado: nas grandes cidades brasileiras, a desigualdade social se reflete na ocupação do território, levando as populações de menor renda a se submeterem a longos deslocamentos para resolver compromissos do dia a dia e questões corriqueiras. O transporte público é procurado mais pelo baixo custo que representa na comparação com as demais alternativas do que por uma preferência real dos usuários. Nesse contexto, oferecer opções acessíveis de realizar esses trajetos se torna uma forma de estimular a inclusão. Criar infraestrutura de ciclovias e calçadas, por exemplo, ajuda a impulsionar as caminhadas e pedaladas no dia a dia. Tarifas mais baixas nos carros compartilhados também contribui para democratizar as viagens por aplicativo.

Conteúdo exclusivo produzido pela Cidades21 para o site da paraondevamos.com, da 99. Clique aqui para ler na íntegra.

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